Análise | Homem-Formiga e a Vespa

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Sempre é bom quando uma sequência entrega um material a altura do primeiro filme, o que dizer até melhor que seu predecessor, tanto em história ou em conceitos próprios apresentados no primeiro filme. Grandes clássicos, como o segundo filme do Exterminador, o segundo filme da trilogia Nolan, Homem-Aranha 2Os Incríveis 2 e por aí vai. Agora, esse hall foi enriquecido com mais um excelente exemplar: Homem-Formiga e a Vespa, que estreou ontem nos cinemas do Brasil.

            De cara, temos o refinamento da característica mais conhecida do filme, a comédia. Ela está lá do início ao fim do filme, com Scott Lang — interpretado, mais uma vez de forma brilhante por Paul Rudd —, com Luiz (Michael Peña me fez chorar de rir), Kurt (sem spoiler, referências a certo filme de ação de maneira hilária), Dave (T.I, que fala pouco, mas abrilhanta ainda mais a comédia desse filme). Só que comédia é algo extremamente difícil, requer perfeição, como defendia Chaplin, pois o timing não pode falhar. E o diretor Peyton Reed levou isso muito a sério, com o protagonista, os side characters, mas também com Michael Douglas, com Evangeline Lilly (muito bem no papel de Vespa, por sinal), no vilões do filme, a Laurence Fishburne, enfim… a tudo o que acontecia no filme.

Lilly é, sem dúvidas, um dos pontos mais altos do filme.

            Quanto a conceitos resgatados do primeiro filme, em uma das melhores sequências e melhores momentos temos Luiz roubando a cena, como fez em diversos momentos do longa (com menção, inclusive, ao grande Morrissey!), o CGI perfeito e a interação entre a Vespa e o Homem-Formiga, com o trio completado sempre com a qualidade excepcional de Michael Douglas. A técnica da macro fotografia, que Peyton Reed já tinha trazido no primeiro filme e que consiste, basicamente, em tirar fotos com lentes especiais e uma câmera meio que “treinada” só para isso, para depois a digitalização e então a inserção dos atores reais em um ambiente com digital, parece ter sido ainda melhor explorada, dessa vez tanto para pequenos objetos, quanto para os grandões, o que faria inveja ao diabólico Dr. Cyclops (filme de 1936).

            Walter Goggins, com seu eterno sotaque sulista, entrega como sempre uma atuação muito segura e divertida. Não podemos esquecer ainda de Michele Pfeifer, escolha que funcionou muito bem com Douglas, embora, como vocês verão, a vida parece não gostar muito de Janet Van Dyne (vejam a cena pós-crédito).

            Talvez o maior problema do filme tenha sido a interação entre Douglas e Fishburne, que oferecia muito pano pra manga, mas devido a tudo o que estava a acontecer no filme, teve de ser abordada apenas superficialmente. Ou talvez o background da Ghost vivida por Hannah John-Kamen. Entretanto, nada que atrapalhe as 2 horas e 5 minutos de projeção do filme, ainda deixou uma interrogação sem entregar absolutamente nada do futuro do MCU (talvez só com a pequena Cassie, intepretada como gente grande por Abby Ryder Fortson?).

Fantasma poderia ter seu background melhor trabalhado, ficando um pouco aquém do personagem de 1987.

            Homem-Formiga e a Vespa é um ótimo filme pós Guerra Infinita, com muito humor, atuações e história convincentes, e a mostra que é sim possível fazer sequências melhores que os predecessores.

Nota:

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