Análise | Harry Potter e a Câmara Secreta

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Harry Potter e a Câmara Secreta foi o segundo livro da série de sucesso internacional escrita por J.K.Rowling, e também o segundo filme da franquia cinematográfica derivada. Além disso foi o último filme da série dirigido por Chris Columbus, que passou o bastão para Alfonso Cuarón no episódio seguinte, que promoveu um redirecionamento estético da franquia e então entregou a Mike Newell por um filme e depois para David Yates, que assumiu a franquia até seu último episódio consolidando as diretrizes estabelecidas por Cuarón.

Os Harry Potter’s de Columbus são, dessa forma, levemente diferentes do que se vê no trabalho dos outros 3 diretores. Com um tom assumidamente mais infantil e colorido que os episódios seguintes, e com uma direção de arte que faz uso menos ostensivo do CGI, mas que conta com um apuro típico do cinema de fantasia mais artesanal da década de 1980 (A Lenda ou Willow- Na Terra da Magia), como também das séries de fantasias televisivas vindas desde a década de 1940 (Dr. Who ou Além da Imaginação), Columbus estabeleceu a primeira faceta do universo Harry Potter no cinema sob medida para entregar o entretenimento requerido pela faixa etária alvo dos primeiros filmes, como também para destacar o tom de aventura suave daquelas narrativas.

Em termos de roteiro, os dois filmes iniciais da série se mostram um desafio bem mais fácil de se realizar que os seguintes, devido ao tamanho diminuto dos livros. Tanto Harry Potter e a Pedra Filosofal quanto seu sucessor optam por conservar basicamente todos os capítulos e diálogos dos livros, com apenas alguns cortes em falas para tornar os diálogos mais econômicos. Essa técnica, impossível de ser mantida por toda a franquia, agradou em cheio aos fãs, no entanto prejudica bastante os filmes para o público não-leitor do livro, ou para públicos de outros tempos, porque torna os dois filmes um tanto longos para suas narrativas e ostensivamente episódicos. A franquia, naquele momento, era pensada para agradar aos fãs, que estavam entrando no auge de sua relação com a série, e dessa forma procuravam espelhar todos os detalhes dos livros, o que foi uma boa opção comercial, já que o mesmo espectador assistia o filme repetidas vezes rendendo ótima resposta nas bilheterias, no entanto, prejudicou os filmes como obras. Harry Potter e a Câmara Secreta se desenvolve ao longo de 161 minutos (duração maior que a de Capitão América: Guerra Civil e igual a de Os Vingadores: Guerra Infinita, filmes que possuem uma quantidade muito superior de personagens e subtramas). São mais de 2 horas e meia para contar uma história simples, que é engordada com detalhes para os fãs saborearem. Foi uma boa opção comercial na época, mas desagrada ao expectador ocasional e deve chatear as próximas gerações.

A trilha de John Williams é um dos pontos altos da franquia, sendo sempre consistente, marcante e muito bonita, inspirando o tom certo da trama. Apesar do elenco principal ser inexperiente e não muito destacável, o filme conta mais uma vez com uma galeria de coadjuvantes veteranos que entregam seus papeis com carisma e segurança (Maggie Smith e Kenneth Brannagh são nesse os grandes destaques).

Contando com o brilhante universo construído por Rowling e com mais uma trama sensível e divertida da autora, Harry Potter e a Câmara Secreta focou na melhor estratégia de mercado para o momento e funcionou. Agradável e divertido, tornou-se um clássico, apesar de seu ritmo errático e de sua duração exagerada. Mesmo que o filme não consiga estender sua magia para todos os públicos e em todos os tempos, é um filme em geral competente que repete com fidelidade os diversos sucessos do episódio anterior, ainda que seja um filme menor se comparado ao seu sucessor.

Nota:

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