Análise | Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016)

5 (100%) 2 votes

Produzida e distribuída pela Warner Bros. e escrita pela escritora J.K.Rowling, a série Animais Fantásticos é um projeto com a missão de dar continuidade ao icônico universo Harry Potter, além de expandi-lo, por meio de uma saga em prequel. Em seu primeiro filme, Animais Fantásticos e Onde Habitam, a missão parece cumprida em sua totalidade. Apresentando o jovem Newt Scamander (Eddie Redmayne), que já havia sido citado como autor do livro homônimo ao filme em Harry Potter e a Pedra Filosofal, o filme se inicia com a chegada do protagonista à Nova York das primeiras décadas do séc. XX, na qual o personagem passará por uma série de aventuras causadas ou intensificadas pelas diversas criaturas fantásticas que ele carrega em sua mala mágica, além de formar uma carismática equipe com uma ex-auror (Katherine Waterston), sua irmã (Alison Sudol) e um simpático trouxa (Dan Fogel). Juntos eles tentarão descobrir o mistério que cerca estranhos ataques mágicos na cidade, dos quais as criaturas de estudo de Scamander são responsabilizadas, e assim se envolverem com o misterioso Percival Graves (Colin Farrell) e com o jovem Creedence (Ezra Miller).

Diversos são os destaques, sendo um dos mais facilmente perceptíveis a excelente equipe principal. Mantendo a dinâmica de construir um time com personagens de temperamentos e talentos distintos que se unem por laços de carinho mútuo, igualmente ao trio protagonista da série Harry Potter, J.K.Rowling se mostra bastante eficiente no desenvolvimento ágil, mas eficaz, desse grupo. Os atores também conseguem incorporar com facilidade esses perfis e têm uma ótima química, o que é bastante potencializado pelo uso eficiente de figurinos e caracterizações (o figurino em si chegou a levar o Oscar do ano correspondente). A ótima interação é facilmente perceptível no humor ao estilo das antigas séries mudas (Os Três Patetas; O Gordo e o Magro) que é estabelecido entre as personagens de Redmayne e de Fogel num episódio envolvendo uma estranha variação de rinoceronte.

A estrutura de roteiro do filme espelha a experiência da escritora com a escrita de livros: claramente subdivididos em pequenos episódios que possuem cada um uma aventura própria. O que poderia ser um defeito se mostra uma estrutura eficaz devido ao talento da autora em encadear os capítulos de forma eficiente e por não gastar tempo desnecessário com episódios desinteressantes, sendo todos os atos do filme bastante fluidos e divertidos, seja quando retomam o clima mágico de batalha épica da franquia original, seja quando inserem novos dramas e dinâmicas típicas desse outro tempo na História da magia, seja quando centra o apelo numa lógica similar a da série Pokémon, explorando a diversidade possível de seu glossário de criaturas fantasiosas. Esses três apelos dramáticos servem de base à narrativa e são apresentados de maneira equilibrada e eficiente, demonstrando a vocação dessa nova franquia em acertar no tom da expansão do universo, sabendo reaproveitar a contento elementos já conhecidos de sua antecessora, como também agregar novos prazeres para os fãs.

Em termos técnicos o filme é extremamente bem-sucedido. Com uma direção de arte bem desenvolvida e apresentada; edição de cenas de ação ágil, mas sem confusão, com um ótimo uso das possibilidades do 3D e do IMax; uma fotografia que sabe alternar bem entre o sépia, típico da trama de época; o colorido da fantasia, necessário à apresentação das criaturas; e tons mais escuros em sequências de profundidade emotiva que acompanham uma determinada personagem que possui um intenso arco dramático. A fotografia aqui se mostra mais pluralizada que na franquia de filmes Harry Potter, com maiores variações de tom sem assim perder a consistência nem parecer estar pulando entre estilos.

Com uma trama envolvente, capítulos divertidos, execução técnica primorosa e uma equipe principal carismática, Animais Fantásticos e Onde Habitam figura como melhor exemplo do que um produto derivado pode ser, acertando ao resgatar o melhor de sua franquia de origem e trazendo elementos novos e enriquecedores a todo instante sem apresentar nenhum conflito na execução dessas duas missões. O filme aparece como um ótimo pontapé inicial de franquia para deixar todos os fãs ansiosos pelas sequências, como também para conquistar uma galeria de novos admiradores, funcionando não apenas como derivado, mas também como filme. Um dos melhores exemplos de sucesso com qualidade em cinema de franquia.

 

Nota:

Leave a Reply

%d bloggers like this: