Análise | Alien: Isolation

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Em 2006, a empresa japonesa de multi-entretenimento SEGA, conseguiu negociar com o estúdio de Hollywood 20th Century Fox pelo licenciamento e publicação de produtos da marca “Alien“, trazendo então ao mercado figuras de ação da linha Figma, e é claro, jogos eletrônicos. Dentre os títulos lançados pela SEGA de 2006 até o presente momento, tivemos o desconhecido e belíssimo arcade turrent lightgun Aliens: Extermination, o divertidíssimo metroidvania Aliens: Infestation (DS, 2011) e o desastroso fps Aliens: Colonial Marines (2013, PS3/X360/PC). Então eis que em 7 de Outubro de 2014, chega ao mercado Alien: Isolation, o quarto jogo da franquia publicado pela SEGA que viria tomar uma postura mais cinematográfica e imersivamente aterradora.

Produzido pelo estúdio europeu responsável pelos jogos da marca Total War, a The Creative Assembly, que inusitadamente teria a responsabilidade de produzir um título da franquia Alien para os videogames, que viria se afastar da proposta de uma ação desenfreada inspirada na sequência Aliens: O Resgate dirigida por James Cameron em 1986, Alien: Isolation foi a aposta que deu certo em um mercado totalmente desacreditado dos jogos de Survivor Horror.

O jogo é uma sequência direta do filme clássico de horror Sci-fi dirigido por Ridley Scott em 1979, Alien: O 8° Passageiro, se passando 15 anos após o momento em que a tenente Ellen Ripley ativa o mecanismo de auto destruição da nave comercial USCSS Nostromo, na tentativa de aniquilar a forma de vida alienígena que dizimou sua tripulação. Você entra na perspectiva de Amanda Ripley McClaren, que recebe a proposta de trabalho na tripulação da espaçonave Torrens, que esta à serviço da infame corporação Weyland Yutani, o destino é a estação espacial Sevastopol, que aparentemente conseguiu recuperar a caixa preta da Nostromo. Ao tentar embarcar na estação, Amanda e os demais tripulantes da Torrens se separam devido à um acidente, e eis que a partir desse momento começa sua jornada por sobrevivência. Amanda acaba por perceber logo de cara que Sevastopol se tornou um espaço totalmente inóspito, mortal e caótico, os colonos digladiavam entre si pela sobrevivência do mais forte, e ao mesmo tempo que tentavam lidar com a criatura à solta que os caçavam um à um.

Em busca do paradeiro de sua mãe, Amanda acaba herdando os mesmos karmas.

Antes de mais nada, é necessário citar que Alien: Isolation é uma ode ao filme 1979, desde sua fidelidade visual nos cenários e objetos, na sua sonoplastia e na perfeita re-utilização da trilha sonora original composta pelo lendário Jerry Goldsmith (1929-2004), como na trilha sonora exclusiva para o jogo criada pela dupla Christian e Joe Henson. Se tratando de um jogo “stealth survivor horror“, o jogador deverá ser bastante astuto com suas ações e deverá sempre que possível manter discrição total para evitar de ser detectado por seus inimigos. O jogador irá se deparar com os desesperados e paranoicos colonos de Sevastopol que irão enxergar qualquer um como uma possível ameaça e não pensarão duas vezes em puxar o gatilho contra você, assim como os defeituosos androides de serviço da Seegson conhecidos por “Working Joe”, e é claro, o próprio Xenomorpho.

Em questão de gameplay, Isolation se assemelha bastante à franquia de jogos indie Amnesia, com a perspectiva em primeira pessoa, na qual o jogador estará quase desprovido de recursos para se defender e deverá ficar em alerta constante e prestar atenção aos sons nos ambientes em que transitar, andando devagar e agachado em boa parte do jogo. O jogador também deverá coletar itens espalhados pelos cenários para a fabricação de objetos caseiros como molotvs, bombas de gás, primeiros socorros e etc, o jogo contém acesso à um pequeno arsenal de armas de fogo, mas nenhum deles é efetivo contra o Xenomorpho, e tão pouco será sábio usa-los, pois o menor som brusco irá atrair a criatura diretamente até você que irá lhe matar instantaneamente, com ressalva ao Lança-chamas, que é a única arma capaz afugentar a criatura, e lembrando que itens e munição são um recurso limitado e deverão ser usados com sabedoria.

É fugir ou morrer, com o Xenomorpho por perto não existe meio termo.

Rápido, adaptativo e praticamente invencível, o Xenomorpho possui uma inteligência artificial que irá frustrar o jogador, normalmente ele quase nunca será enganado usando as mesmas táticas, o que ao progredir do jogo suas opções ficarão bastante “afuniladas”, emulando perfeitamente o comportamento do alienígena ao que foi apresentado pelo seu designer, o artista plástico H.R. Giger (1940-2014). Por um lado os Working Joes se comportam de forma previsível, mas são bastante resistentes e duros na queda, além de normalmente estarem numerados, mas que com a estrategia correta poderão ser facilmente driblados e enganados. O jogo tem uma dificuldade um tanto elevada, oque irá agradar os jogadores que buscam por desafios, inclusive pelo fato do jogo ter pontos específicos para você salvar seu progresso.

Não marque bobeira, salve seu progresso sempre que possível.

Tanto a qualidade visual como a direção de arte de Alien: Isolation são de bater palmas, presando a fidelidade ao material original de inspiração, Sevastopol dá ao jogador a sensação de caminhar e interagir com cenários e a tecnologia da espaçonave Nostromo idealizados por Ron Cobb e Chris Foss, usando computadores “futuristas” do final da década de 70 e corredores claustrofóbicos, o destaque vai principalmente para o detector de movimentos, que será seu o “melhor amigo” do começo ao fim, e acredite, ficar de olho no detector de movimentos irá fazer com que você tenha mais controle e atenção com o ambiente ao seu redor.

Detector de movimentos, vulgo o aparelho que aumenta a ansiedade e o suspense do expectador.

Apesar de ter vendido 2.1 milhões de cópias, números esses que apesar de serem relativamente bons não agradaram os executivos da SEGA, porém, Alien: Isolation foi um dos títulos que ajudou a provar que o mercado de Survivor Horror não morreu com a trilogia Dead Space e que é totalmente possível converter perfeitamente uma experiência cinematográfica para os videogames. Alien: Isolation trará ao jogador uma jornada desesperadora de 16 à 20 horas  de duração, além das DLCsCrew Expendable” e “Last Survivor“, na qual o jogador poderá reviver os horrores da USCSS Nostromo.

Crew Expandable e Last Suvivor são um presente para aqueles que sempre quiseram um jogo digno do primeiro filme.

Alien: Isolation é perfeito para os fãs de longa data da franquia assim como para os fãs de Survivor Horror, é facilmente um dos melhores títulos publicados pela SEGA nos últimos anos, um dos melhores jogos dessa geração, consegue ser uma lição de game design para o seu gênero, e apesar de possuir um enredo original, é uma excelente “tradução” de uma marca hollywoodiana famosa para os videogames, os únicos pontos negativos estão na navegação do mapa que é um tanto confusa e em certos momentos quando o jogo tem uma experiência repetitiva.

Alien: Isolation pode ser encontrado à venda para o PlayStation 4 e 3, Xbox 360 e One, e para os PCs através da Steam, e possuí legendas e áudio em português brasileiro.

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