Análise | Megatubarão

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Um centro de pesquisa marinha financiado pelo bilionário Jack Morris (Rainn Wilson) consegue alcançar o ponto mais profundo do oceano, encontrando diversas novas espécies. Uma delas é um tubarão pré-histórico de 23 metros, o megalodonte. A criatura ataca a tripulação do mini-submarino de reconhecimento, que fica à deriva a quilômetros de profundidade. Correndo contra o tempo, os cientistas precisarão recorrer a Jonas Taylor (Jason Statham), um experiente salva-vidas com uma carreira manchada por uma tragédia envolvendo um resgate de um submarino que ele acredita ter sido causado pela fera.

Se ao ler essa sinopse você logo imaginou uma produção capenga dos estúdio Syfy (responsável por pérolas como  O Ataque do Tubarão de 5 Cabeças e a divertida franquia Sharknado), é algo bastante compreensível, uma vez que tramas cada vez mais estranhas envolvendo tubarões se tornaram corriqueiras em vários filmes lançados em vídeo. Mas o filme da vez se trata de uma super produção de 150 milhões de dólares lançada pela Warner Bros., que espera lucrar bastante em cima da paixão do público pelos ferozes animais: Megatubarão (The Meg, no original).

Apesar da premissa incomum para um blockbuster, o filme consegue entregar um bom entretenimento e boas doses de suspense, ainda que seus momentos envolvendo sangue e violência percam feio para filmes do gênero, como Do Fundo do Mar (1999) e o clássico absoluto Tubarão (1975). A decisão de atenuar a violência dos ataques do megalodonte é justificada pela necessidade óbvia de baixar a classificação etária e aumentar os lucros, uma tática comum em vários estúdios, mas que faz Megatubarão perder boas oportunidades de apresentar um espetáculo maior. Soma-se a isso a notável persistência de grandes estúdios em usar cenário e atores asiáticos visando arrecadar bastante na Ásia. Pelo menos o longa não tão apelativo nesse quesito como o ridículo Arranha-Céu: Coragem sem Limites e Círculo de Fogo: A Revolta.

O longa é comandado pelo diretor de aluguel Jon Turteltaub, responsável pela rentável franquia A Lenda do Tesouro Perdido e dono de um estilo visual que cumpre bem a missão de proporcionar ótimas cenas aquáticas. Seu trabalho se ampara bastante em efeitos visuais funcionais, que fazem do tubarão uma criatura bem feita e uma ameaça crível. Seus ataques, embora previsíveis, conseguem impactar e causar uma ansiedade incômoda, e o grande foco dado ao animal pelo cineasta é o grande acerto da produção.

Megatubarão não se leva ao sério desde o começo e o roteiro se limita a entregar soluções simples ao público, pecando pela falta de coragem em certas decisões. Os personagens são os que mais sofrem por esse desleixo, tamanho pouco desenvolvimento que o texto de Erich Hoeber, Jon Hoeber e Dean Georgaris (a partir do livro Meg, de Steve Alten) cede a eles. A salvação é encontrada por um elenco carismático e engraçado. Statham volta encarnar o velho brucutu de sempre, mas um pouco mais sorridente desta vez; Rainn Wilson já foi melhor utilizado em filmes, mas ainda rende algumas risadas; a bela Li Bingbing ( e seus inacreditáveis 43 anos) se esforça para entregar mais que seu papel de bióloga durona exige. Outra que se sai bem é a futura Batwoman do Arrowverse, Ruby Rose,que vem ganhando cada vez mais espaço em Hollywood, como uma jovem engenheira, ao contrário do veterano Cliff Curtis (de Fear the Walking Dead), numa interpretação ligada no automático.

Descompromissado e divertido, Megatubarão é um bom arrasa-quarteirão esquecível. Com certeza não será a última produção bizarra envolvendo tubarões, mas com certeza é uma que se destaca. Se uma continuação vier, basta apenas que os envolvidos se esforcem mais para entregar um espetáculo do tamanho de um predador de 23 metros. Até lá, Tubarão de Spielberg se mantém forte no topo.

Nota:

 

 

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