Cinco anos de The Last of Us | O que esse título nos trouxe?

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No dia 14 de Junho de 2013, chega mundialmente as prateleiras o título que viria ser o trabalho mais ambicioso do estúdio Norte Americano Naughty Dog. no seu primeiro ano como um exclusivo do PlayStation 3, The Last of Us se apresentou ao mercado como um título revolucionário e vanguardista dentro de seu gênero, trazendo consigo uma narrativa adulta com jogabilidade, animação de personagens e visuais que emulam aspectos técnicos dignos de um longa metrado hollywoodiano de drama e ação da mais alta qualidade. Mas o que será que esse título tão elogiado de fato nos trouxe?

É notoriamente claro as inspirações do roteirista e co-diretor Neil Druckmann em The Last of Us, que se aproveitou do surgimento da exagerada quantidade de títulos no mercado na qual surge uma pandemia mundial causando a criação de monstros aberrantes e mortos-vivos que irão destruir a sociedade na qual todos nós conhecemos, enquanto os sobreviventes formam facções que se conformam com a situação e lutam por sua sobrevivência, ou se tornam saqueadores, fanáticos religiosos, ou são um grupo militarizado que buscam uma cura e subsequentemente a re-construção da antiga sociedade. O drama corriqueiro que várias obras na indústria da cultura pop apresentou ostensivamente entre 2010 à 2014.

O enredo de The Last of Us em si é algo bastante simples, e como já foi citado no parágrafo anterior, pode ser facilmente encontrado em uma revista de quadrinhos como The Walking Dead, ou como em qualquer filme “roadie” que Hollywood exibe e premia anualmente por sua alta carga dramática e emocionalmente pesada. Na narrativa somos jogados em uma realidade do ano de 2033 tomado por um vírus que transforma pessoas em “homens-fungos canibais”, as cidades foram completamente destruídas, com algumas transformadas em zonas de quarentenas e ainda pouco intactas. Tomamos o controle de Joel, um traficante/mercenário que juntamente com sua parceira Tess, que à pedido da guerrilheira Marlene, da facção conhecida por “Vaga-lumes“, são incumbidos de transportar uma menina de 14 anos conhecida por Ellie, que foi a primeira entre muitos a ser infectada e que não se “transformou”, dando a entender que a mesma seria imune ao vírus pandêmico.

Uma Jornada longa e árdua ajudou à construir uma dupla inseparável.

A jornada segue e há uma revira volta em seus planos, assim como os vaga-lumes que os aguardavam no “fim” de seu trajeto, o trio se vê em uma emboscada, e Tess acaba se vendo obrigada a se sacrificar em prol de um bem maior. De inicio sem pistas e pouca esperança, Joel e Ellie partem em uma jornada cruzando as quatro estações do ano pelos EUA, em uma desesperada busca pelo grupo principal dos vaga-lumes, para que os mesmo possam sintetizar a cura prometida. Durante esse longo trajeto, Ellie e Joel constroem um relacionamento afetivo de “Pai” e “filha”, e para manter esses laços e conquistarem seus objetivos, ambos irão enfrentar hordas de infectados, saqueadores, membros de uma seita de canibais, e seguranças armados do governo.

Em quesito de gameplay, The Last of Us nos traz fortes inspirações de marcas consagradas como Uncharted, Resident Evil e Metal Gear, dá para notar nitidamente que The Last of Us “bebe” do que há de melhor dessas franquias. Por se tratar de um título third person shooter da Naughty Dog, é mais que obvio que o estúdio utilizaria mecânicas de outra marca que eles mesmos produziram, o que não há nada de errado nisso já que essa é uma prática corriqueira no mercado, durante o combate tanto corpo-a-corpo como à distância nos vemos em cenas fidedignas ao que vimos na quadrilogia Uncharted. O poder de decisão do jogador entre escapar dos obstáculos furtivamente usando objetos e o ambiente ao seu favor, ou usar a força bruta para atravessar seus inimigos silenciosamente um à um ou simplesmente bancar o “gatilho nervoso” e alertar demais inimigos que virão com tudo para cima de você, um elementos claramente inspirado em Metal Gear. Assim como na criação/customização e o instinto de economizar recursos provindo de Tomb Raider (2012), Dead Space e Resident Evil. Nesse quesito, The Last of Us consegue englobar esses “ingredientes” modestamente bem, é válido ressaltar, que assim como os títulos usados como referencial, The Last of Us também atende à uma demografia adulta, então atenção para aqueles sensíveis à cenas muito fortes.

No que diz respeito a sua trilha sonora, qualidade visual, design de personagens e cenários, The Last of Us nos presenteia com detalhes impecáveis de cair o queixo, a beleza e o realismo de cada paisagem e a interação com os mesmo acabam por tornar a jornada bastante imersiva, e acompanhados ao timing da trilha sonora composta por Gustavo Santaolalla, tornam cada passo do que deveria ser considerado algo clichê em uma aventura dramaticamente aconchegante, principalmente para os novatos nessa cultura de jogos eletrônicos. O jogo tem cutscenes que fariam inveja até mesmo ao cinema moderno, sem monólogos prolixos e com abordagens diretas, tornando certos pontos do jogo auto-explicativo sem tirar a graça, ou totalmente previsíveis mas sem subestimar a inteligência o jogador.

O final de The Last of Us traz a decisão que qualquer um digno de se chamar de “Pai” faria.

The Last of Us pode não ser um título revolucionário como gritam aos quatro cantos do mundo, até pelo fato de outros já terem executado essas ideias anos atrás no mesmo nível se não de forma superior. Sua popularidade foi devida a uma excelente campanha de marketing promovida pela própria produtora, e o fato que a grande leva de novos jogadores que chegaram em 2010 em diante, até aquele presente momento não tiveram acesso à outros títulos mais marcantes dessa ou de gerações passadas. Mas o inegável é que, a Naughty Dog trouxe um produto extremamente competente que ajudou e que ainda vai continuar a ajudar a aproximar o mercado de jogos eletrônicos ao que chamamos de “mainstream“, além de reforçar os nomes que serviram como fonte principal de inspiração para esta obra.

The Last of Us se encontra disponível para o PlayStation 3 e PlayStation 4. A versão para o PS4 possuí compatibilidade com a tecnologia 4K para a linha de produção “Pro” e possuí todas as DLCs lançadas na versão anterior. The Last of Us Part II está em produção e ainda não possuí uma data de lançamento.

 

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