Análise | Batman – O Príncipe Encantado das Trevas

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Enrico Marini é um quadrinista da velha guarda oitentista, que ainda tem muito a nos dar de brilhantismo. Desde sua estreia, em 1987, ele já era um promissor ilustrador, mas sua verdadeira obra-prima viria alguns anos depois, com Gipsy, um conto cigano moderno, com a crueza e realidade do roteiro de Thierry Smolderen, que considero um dos mais brilhantes ensaístas europeus. Seu livro sobre Hergé, o criador de TinTin, merece um leitura caprichada, embora não tenha sido traduzido para o português. Essa parceria se repete até os dias mais recentes, mas não é disso que se trata essa análise. 

O estilo de Marini possui, pelo menos em Gipsy, uma influência muito grande do mangá, mais precisamente, de Katsuhiro Otomo, o criador de Akira. Percebemos isso no design dos personagens, especialmente da menininha Oblivia. Entretanto, esse estilo evoluiu, do modo como precisava, para uma pintura mais próxima da narrativa cinematográfica, juntamente com um estilo mais fluído nos requadros, para uma história que, segundo o próprio Marini, foi incumbida a ele pelo próprio Cavaleiro das Trevas em pessoa.

O estilo lembra muito o de Katsuhiro

É esse estilo que vemos em Batman – O Príncipe Encantado das Trevas, que chega em duas partes pela Panini. Nela, vemos personagens bem humanizados pela arte e Marini, algo que se afasta do estilo mais mangá com cartum que vemos em Gipsy ou até mesmo em Negative Exposure, em mais uma parceria com Smolderen.

Aqui, tudo é mais cru, mais realista, mais Gotham, mais Batman. Mesmo que a trama não apresente nada de muito novo em termos do Homem-Morcego, o roteiro é bem amarrado e verossímil o bastante para envolver o leitor nessa história original. A narrativa combina bem a ação rápida com momentos de andamento mais lento, e faz uso, como dito acima, de requadros que criam verdadeira tensão. Marini usa muito o super requadro, para usar a definição de Eisner, e tons mais frios para mostrar a frieza da cidade, em contraposição a tons mais quentes com o interior de alguns ambientes. É realmente uma aula de arte. Os cenários também são um destaque a parte, outra aula de ambientação e perspectiva.

Cenários, outra aula a parte.

Em resumo, uma HQ que vale pela edição apresentada pela Panini, que ficou bem luxuosa em papel couchê, com um custo benefício que surpreende, e por mostrar toda vigorosidade de um artista que, se não se destaca pelo roteiro, traz uma obra magistral em termos de arte sequencial.

Nota: 

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